terça-feira, 1 de outubro de 2013

“Perto do Céu”



Nasci na Serra, filho da Estrela
Do granito; de xisto não tenho nada…
Tendo, nos olhos, a cor, a Mãe mais bela
Nesta minha Alma de silêncios gerada

Ao poema dediquei o grito da boca fechada
 Em nome da voz que na garganta morre
Pois que em tanta razão, a mais certa fica calada
Gritando bem alto, do peito, a lágrima que escorre

No ventre das encostas, esculpi pergaminhos,
Entre giestas mansas e doces rosmaninhos
Sem acordar o Génio que ali dorme…

Ali, perto do Céu, fiz saudade
Ficando em mim outra vontade

Qual se levante, um dia, enorme…

quarta-feira, 2 de maio de 2012

“Com vertendo”






Quando a soma da valentia lhe castigue

Os mais medos, que do alto diga

Seja flor que preserva a vida

E a esperança que voz ilumine… 

Pois que

Se a Lágrima brota daquele sorriso

Num nascer partido de gente

Que ao silêncio acrescente

O ressuscitar do dia perdido...

***

quinta-feira, 26 de abril de 2012

“Onde calo, enfim”






Queria o néctar dos teus lábios
Vertido numa onda de prazer
Com quantos contornos e frutos sadios
Beldades nos olhos e curvas a condizer…
Que tu existisses no fogo que me consome
Para acordar (pronto), vazio de mim
Como uma alvorada que minha Alma come
Num sonho distante, onde calo, enfim…
                        ***

quarta-feira, 25 de abril de 2012

“Manhã solitária”






A mil, meu peito, gritos de dor

Vontades de vento, jeitos de amar

Quando, na madrugada, me colho flor

Quebrando o orvalho que vou derramar;



- Que águas são essas? Pergunta a canção,

Em minhas costelas, abraçando o mar;

- São pérolas, Senhor; do meu coração;

Responde meu sal, prisioneiro no olhar



Se fossem, os lábios, soltar emoção

Eu seria o primeiro, para os acompanhar

Armado que vou, gotas de oração

Brotam, audazes, sorrindo para não chorar.

                             ***

“Abismo”






Caminha a canseira

Dos Templos antigos

Olhos convertidos

De qualquer maneira…

Erguidos ao alto, pilares de lama

Calçando a mentira dentro da veia

Se lhe corre de sangue a cor que semeia

Ao grito, cadilho que lhes assoberbe a Fama…

                  ***

“Desespero ambulante”






-A esperança é teu ânimo de salvação

Barco sem rumo nas ondas do mar

Por vezes, fechado ao coração

Gemendo embalos sobre o olhar…

-Que fosses a pedra mais alta da serra

E sentisses o vento que sabe cantar

Quando ouves o frio, ameno, sobre a terra

Sem lábios ou musgo que possas beijar…

-E fitas meu peito, de gritos gigantes

Como se, ali, batalhasses ardor…

Quantas falsidades e traições constantes

Sem carinho ou templo, que me liberte a dor…

-Sim! - Fui a mão que abriu da ilusão

Num vento capaz, auréola da mocidade;

Lágrimas perdidas chegando em vão

 Por resmas de ti, montando idade.

-Vi-te no tempo que me aconteceu;

Nas páginas brancas, enquanto te lia;

Se da voz sobrou, na voz morreu

O momento vivido se te conhecia.

                      ***


“Delicadas da minha voz”






Eis que no mesmo dia acontece

Tornado, na mesma hora que se levanta

Se na madrugada, abre e canta

A noite que entristece



Mesmo assim, marco a caminhada

Fazendo como quem vai para mais longe

Que em meu hábito, envergo e me faz monge

Sem pisar o caminho da fachada



Começo por abrir o entendimento

Para renascer ao compreender das palavras

Que assim convém que sejam detalhadas

Em júbilo, além do esquecimento



Mais que, assim, só uma estaca

A que falta e sou temente

Quando de mim sou toda a gente

Em mim, a voz opaca.

                        ***


sexta-feira, 20 de abril de 2012

“Pesadelo na minha cama”



Lá distante,
Fui velho lobo-do-mar
Tomei meus pés, até ao horizonte de mim
Não pude ver, alcançar ou desejar
Mas, passo a passo, conduzi-me até ao fim

Nas trevas, fui amante de coração
Conversando e caminhando confiante,
Distante do caminho, andei de mão em mão
 Ferindo leis, além, tangente, avante

Nuvem vencida, sonho ardente
Fogo de peito, asa guardada
Marchei de céu, nuvem luzente
Cheguei a mim, noite calada

Fui crescer no campo ao lado
Raiando voz soberana
Fui acordar encharcado
Suor, pesadelo na minha cama.
***
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“Inda, na garganta”




O meu amor abalou…
- Oh farsa de tanta fadiga!
De tanto sal, o peito gritou
Aos lábios, morrendo quem o diga
Que a língua sabe e água levanta
Clamores estrangulados, inda, na garganta.
***

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

“Tintas de amor”




 O veleiro atracou na minha enseada
Como um vento que pára sabendo-se chegado
Fiz a certeza, logo sobro do nada

Rio sem destino, sem leito nem brado…

Népia que fosse, saboreando tormentos
Com vozes traçadas, temporais alentos.


Ó mar, das angústias mais iradas

Que já não pensas, só corres em vão

Bates na terra pejos de balanças cansadas

Vertendo horizontes no meu coração…

Se em tela pinto, vozes de amor

No céu encontro tintas de dor.

***

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

“NO HORIZONTE DE MIM”





No horizonte de mim, contemplo lonjuras

Escolhas perdidas, fulgores da mocidade

Qual caminho vencido nas cores maduras

Marcado nos passos do vento com a idade

Quanto de mim, por mim fulgura

Sentindo no peito, o feito dessa loucura



No horizonte de mim, um sol do meio-dia

Numa fome de vida sobre um mastigar sombrio

Língua de vento por fora e por dentro lambia

O néctar, enfim, de um crepúsculo vazio

Aquando a voz se ergue nos ecos do destino

E me encontro criança, nos altos do caminho



No horizonte de mim, bem próximo de ti

Palavras para quê!

Ao chegar distante de todos os chegares

Pelos sons de todas as letras que conheci

Que não dizem corações, seus olhares

Pois que venho de longe, para longe, enfim

Bem perto que seja no horizonte de mim.

***

segunda-feira, 11 de abril de 2011

“BEIJO NA MADRUGADA”


A lua abriu o tormento
Beijando a orla do mar
Sibilo,
Risco de vento;
Grito de alento
Por contemplar

Turvava assim, crispação
Na prata que se estendia
Olhava o sim, acenava o não
Enquanto o brilho fugia

Gemia no coração
Como quem chama um ardor
Repincho de solidão
Retumbaria paixão, voz ou dor

Qual beijo não chegaria
Do peito jeito encantado
Que do sono venceria
Verdadeiro ou enganado

Lá tinia livremente
Chorando à descarada
Quando Aurora se viu gente
Para beijar a sua amada

Foi quando o sonho acordou
Na noite, ida, fechada
Que o desejo festejou
O beijo da madrugada.
***

“ALENTA DEMANDA”


Olhei a parede vazia
De melancólica, cor e calma
Tombei pela noite até ao dia
Mais amargo da minha Alma

Receios que em mim transitaram
Reflectiram tais momentos
- Vai-te embora.
- As vozes falaram
Ao horizonte, dos meus tormentos

Aos escombros, fui essa flor
Anteposta, entre meu sonho
Olhos e noite, varei o amor
Vencido, à madrugada do sono

E madrugou amargura
Apagando-se,
Sem dizer uma palavra
Aquela, ao alto perdura
Que assim, de tudo falava
- Espera…
De mim te procura
E, a esperança segura.
***


“PERPÉTUA INCUMBÊNCIA”


“PERPÉTUA INCUMBÊNCIA”

Devia amar-te para sempre
Possuindo a prova
De muitas outras coisas;
Devia amar-te,
Quando caminho em frente
Quanto?
Quando te abandono…

Não encontrei essa riqueza
Graças a uma melhor compreensão
Só o benefício da certeza
Pleno,
Daqueles que te encontrarão

Devia amar-te para sempre
A partir de agora
Quando, o jeito é demente

Amar-te, como?
Mostrando-te o descontente

Mergulhado no teu perfume,
Apaladado o desejo
Devia amar-te como costume
Amar-te
Pomada ao doce cortejo…

Sentiria que ainda não te encontrei
Entre as pétalas mais airosas
Nem das vozes que isentei
Sonhei
De ti
Aquela flor, das flores mais maravilhosas.
***

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

“Fundo de tempestade”

“Fundo de tempestade”
Que os olhos tivessem, sobrando correntes,
Separassem ventos em brandos de fantasia
Quando enxurradas, leitos e bocas descontentes
Mastiguem do tempo a orla de cada dia
Seria mais desaparecido de si, mais vontade
Não mais vento, mas fundo de tempestade.
***

“Saudade”

“Saudade
Bebi do teu servo, amores e solidão
Ardendo calmamente, chama soprada na vontade
Flamantes sem destino, soltas veredas de mansidão
Lamento de castelo, candeia de sumptuosidade…
- Mas é fogo de verdade
E transpira saudade.
***

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

“Bem Sei”

“Bem Sei”


Oh...
 sim, bem sei,
Se só, o caminho deste amor,
Sustido, palavras que não ditei,
Bem sei,
Qual o fim de tanta dor…
Sim,
 Bem sei,
Glória que possa perder,
Tormenta que queira acompanhar
Sim,
Bem sei,
Porte que saiba suster
Saber;
Encontrar ou conhecer,
Bem sei...
Em luz que se haja tornar.
                    ***

“Mar Tardio”


Bem junto,
Nesse rio me enlaço
Bem perdido,
Anseio perder o olhar
Já farto,
Afogo tento ao cansaço
Se encontro,
Algo perdi nesse mar…

Morro ali,
Mesmo ali, aonde fui repousar
Sem tardar,
Dos males mil,
Cristais por adornar
Bem morto,
Logo ultrapasso essa dor
 Morro ali,
Aonde tardei por amor.
***

“Pesadelo na minha cama”

“Pesadelo na minha cama”


Lá distante,
Fui velho lobo-do-mar
Tomei meus pés, até ao horizonte de mim
Não pude ver, alcançar ou desejar
Mas, passo a passo, conduzi-me até ao fim

Nas trevas, fui amante de coração
Conversando e caminhando confiante,
Distante do caminho, andei de mão em mão
 Ferindo leis, além, tangente, avante

Nuvem vencida, sonho ardente
Fogo de peito, asa guardada
Marchei de céu, nuvem luzente
Cheguei a mim, noite calada

Fui crescer no campo ao lado
Raiando voz soberana
Fui acordar encharcado
Suor, pesadelo na minha cama.